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De 3,8% para 15,4%. Este foi o aumento do nível d’água no reservatório Cantareira comprimido entre fevereiro e abril que causou a sensação de que racionamento e rodízio eram palavras totalmente distantes do nosso cotidiano.

Enquanto no começo de maio apenas 0,1 mm foram registrados, em abril choveu metade da média histórica para o mês.

Para agravar ainda mais a situação, as quatro represas da Cantareira tiveram a primeira queda em três meses (o volume do reservatório baixou de 20,1% para 20%).

Isto tudo, reitera-se, depois de 83% da população ter reduzido o consumo e a produção metropolitana de água pela Sabesp ter caído de 70 mil para 50 mil litros por segundo (quase 30%).

Dado o levantamento desses dados, alguns analistas até esboçam comentários dizendo que isto é só o começo de um efeito cascata causado pela superpopulação e que a tendência é a de que os recursos naturais se esgotem em maior e mais veloz quantidade (teoria neomalthusiana).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É visível que há muito o que reorganizar no modo de utilização da água de São Paulo. A crise hídrica vivida pelos paulistas –que ainda não acabou e não irá tão cedo– ao menos tem servido para tornar mais transparente a escassez desse recurso essencial e conscientizar, mesmo que temporariamente, parte a população.

O consumo tem diminuído. As pessoas estão economizando mais água e gastos, devido a fatores como ser demitido ou ganhar menos. Esse consumo desenfreado -principalmente de água- que estava sendo praticado pré-crise, mostrou consideráveis diminuições, mas que não necessariamente significam que o brasileiro está ficando mais consciente.

“Não é bem uma consciência. É medo de as coisas piorarem e necessidade de economizar, pois o orçamento das famílias ficou mais apertado”, destaca o professor de economia da Fumec Alexandre Pires.

Especialistas indicam que assim como a crise, a freada no consumo é temporária, e que a tendência é a de que o brasileiro volte a adotar práticas consumistas assim que a situação financeira do Estado se estabilizar novamente, como destaca a professora de economia da faculdade IBS da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Nora Raquel Zygielszyper.

“A cultura brasileira é mais consumista, e essa característica não vai mudar. O brasileiro está assustado, vendo pessoas perderem o emprego e a inflação comer seus salários. Mas ele é otimista e, quando essa situação passar, voltará a comprar”, destaca Nora.

A população, entretanto, parece não entender (ou querer entender) que as mesmas práticas de consumo e desperdício que causaram a crise atual podem gerar uma nova crise em um futuro não tão distante.

Embora a situação não esteja tão alarmante quanto antes na Grande São Paulo, não podemos nos esquecer deste medo pelo qual estamos passando -seja pela falta de água, seja pela falta de emprego- e devemos tirar de toda essa situação um aprendizado para um consumo mais consciente de todos nossos recursos, ambientais ou não.

Mudar para melhorar, economizar para preservar! 

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